segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

As Aventuras de Tim Maia II


Lembra da coluna da semana passada? Era sobre um dos grandes nomes da nossa música que se apresentaram no Circo Voador, aqui na Lapa. O polêmico e genial Tim Maia. E sobre o dia em que o entrevistei para o Jornal O Dia. A tarde em que o deixei meio perdido trocando o que seria uma sequência lógica de perguntas e ele, que também gravava tudo com um gravadorzão, parou tudo e gritou: “Espera aí, você está me confundindo todo...”. Muitas gargalhadas e, como se nada tivesse acontecido, voltamos ao bom papo e hoje mostro algumas das pérolas do hoje saudoso Síndico da MPB.

Sem papas na língua, Tim Maia não era de fazer pose e usava e abusava da sua fama de polêmico, dizendo sempre o que muita gente não gostava de ouvir. Mas vamos nos divertir com as boas tiradas do Tim:
“Não sou machão. Sou quadri-sexual, sou super-entendido, mas também não sou gay. O machismo não leva a nada nem esse falso feminismo, esse feminismo machista e fanchona, reivindicando direitos feministas. Sou um cara metido a inteligente, chegado a inteligentinho. E sexo é o seguinte: quem quer, dá, quem quer, come, quem quer, entrega...”

“Puxei uma cadeia no Brasil. Um ano. Levei porrada, onde o filho sofre e a mãe não vê. Ronaldo Bôscoli, Elis, Nelson Motta, Erasmo, Os Mutantes. Esses me deram força...”

“Não posso falar de mim, mas dizem que sou meio complicado. Não acho. Acho que sou um cara legal. O povo brasileiro é meio devagar em matéria de trabalho, principalmente aqui no Rio de Janeiro. Aqui ninguém quer nada. O carioca tá acostumado a receber tudo prontinho, com tempero...”

“O meu grilo é com as mulheres. Ninguém quer mais amor. O Julio Iglesias disse que já trepou com 400 mulheres diferentes. Tá contando pouquinho. Não quero me gabar não, mas ano passado acho que dei mais de 400 trepadas e não nasceu filho nenhum. Anticoncepcional não combina com romantismo. Quero arrumar uma filha pra me acalmar e não consigo...”

“Sou o décimo oitavo filho da minha mãe. Se ela tivesse tomado anticoncepcional como ia ser? Ninguém ia ouvir Azul da Cor do Mar ou Vale-Tudo. Então, quem sou eu para falar de controle de natalidade. Sou contra aborto preventivo também...”

“Não julgar as pessoas antes de saber das coisas, não ter bronca de ninguém, não brigar com ninguém. Tudo isso eu aprendi com ela...” (ensinamentos de sua mãe)

“É exatamente o que falam. De vez em quando não ia mesmo. Agora estou mais profissional. Era meio rebelde, sou meio rebelde, meio chato...” (a fama de faltar a shows)

“Não acredito em Deus, nem em céu, diabo ou inferno. Não consigo me entender com minha família porque vai à missa. Não consigo admitir que meus sobrinhos continuem freqüentando a igreja...”


“Meu nome é Sebastião Rodrigues Maia. Quem botou Tim foi o Erasmo, pois cantar música americana com nome de Sebastião não dava certo...”

“Comecei a entregar marmita com seis anos de idade, da pensão do meu pai, a Pensão do Seu Altivo. Como caçula segurei a rebordosa maior...”

“210 mil réis foi meu primeiro salário numa firma. Comi um mixto-quente com milk-shake e dei metade pra minha mãe. Naquela época o mixto era novidade, coisa pra bacana mesmo. A gente tomava era refresco em casa. Tinha 14 anos...”

É, essa foi minha tarde com Tim Maia. Semana que vem eu volto com mais histórias da lapa ou de alguém que por aqui já esteve...


Por Marcos Salles

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