sábado, 15 de dezembro de 2007

Gaúcho, fotógrafo da Lapa

Sérgio Silveira, ☼ 1934 † 2010

Sérgio Silveira. Esse é o verdadeiro nome do Gaúcho, famoso (e único) fotógrafo de botequim atual. Há 37 anos roda o bairro da Lapa com o mesmo expediente: começa às 21 horas em ponto, no Manuel e Joaquim. De lá, o fotógrafo segue para o Capela, onde aborda mais alguns clientes. E nesse pique entra em mais 23 bares, restaurantes e casas noturnas, oferecendo-se para registrar os momentos de alegria dos clientes. Geralmente, o trabalho termina às 4 da manhã.

Morador da Lapa desde o início da década de 70, Gaúcho aborda seus clientes de maneira tímida. Sua postura pode parecer fria a alguns, mas logo vem uma explicação: - Não gosto de incomodar, nem de insistir. Respeito o cliente. Se ele quiser, ele aceita.

O modelito, o mesmo desde o início da carreira, é composto pela máquina pendurada no pescoço, terno vermelho escuro, gravata borboleta vermelha e cabelo arrumado a pente fino. O fotógrafo acredita que a preocupação com o visual traz mais confiança para o cliente, que se sente bem atendido e acaba tirando mais fotos.

No bolso do paletó, uma lista de todos os ilustres que já foram fotografados, entre eles Ivone Lara, João Nogueira, João Saldanha, Maria Bethânia e Moacir Silva. Gaúcho foi o responsável pelos últimos registros de Madame Satã, no lançamento de sua biografia, no segundo andar do Capela.

O Início

A carreira como fotógrafo só foi possível por causa de uma decepção amorosa. Ao descobrir que sua mulher já o havia traído duas vezes, Gaúcho decidiu sair de casa. Sem teto nem emprego, Sérgio conseguiu uma máquina com um amigo. E, assim começou a sua vida de fotógrafo na Praça da Cruz Vermelha. De lá, seguiu para a Praça Tiradentes, e só depois foi parar na Lapa.

Naqueles tempos, o fotógrafo tinha um laboratorista de confiança com quem revelava diariamente os filmes de sua Rolleiflex. Hoje, tempo em que não existe mais Rolleifllex e nem laboratorista de confiança, Gaúcho usa uma velha Fuji Instantânea azul. Gaúcho, que antes da era digital chegar fazia mais de mil cliques por mês, atualmente faz pouco mais de 5 fotos por dia, cada uma a 15 reais e, assim, ganha o suficiente para comer e pagar a pensão.

Hoje em dia...

Há pouco tempo, Gaúcho recebeu a notícia de que o filme para a sua Fuji vai parar de ser fabricado. Mesmo assim o fotógrafo não desanima e já arrumou outra alternativa. Começou a escrever, a mão, textos com a história do bairro. "Minha expectativa é fazer um livro. Já que trabalho há 37 anos na Lapa, estou escrevendo a história do bairro na minha interpretação", explica.

Apesar das decepções de dois casamentos arruinados, Gaúcho não se cansou de procurar a mulher de sua vida. São apenas 3 exigências: que tenha mais de 60 anos, que esteja nos trinques para trabalhar e participar de sua vida, e que não tenha medo de altura - já que o sonho do fotógrafo é casar no alto dos Arcos.


Preços

Como sistema de fotos Polaroid está por acabar - as máquinas Fuji de seu uso não estão mais sendo fabricadas, assim como os filmes - o fotógrafo Gaúcho precisa importar seu material. Por isso, o preço das fotos mudou para R$ 20.

Além disso, Gaúcho avisa que os capítulos de "A Minha História da Lapa", relatando os anos 50 e 60 (pesquisados) e de 70 pra cá (vividos e fotografados por ele), já estão sendo veiculados. O fotógrafo anuncia ainda que já aceita propostas ou sugestões para futuros livros, peças de teatro, cinema ou televisão.

Contato: gauchofotografo@yahoo.com.br

Atualização - 03.2010:

Sérgio Silveira faleceu em março de 2010. (☼ 1934 † 2010)

O enterro foi realizado na 4ª feira (17/03/2010) às 10hs, no cemitério do Catumbi.



Homenagem - 07.01.2011:
A choperia Brazooka faz uma homenagem ao fotógrafo nomeando o palco da casa de "Palco Sergio Silveira"!




 
 
Marina Cunha

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